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Vinicius Paraiba

Histórico de Posts com a Tag: ‘dançando na chuva’.


Postado por: Miss Independent em 30/01/09
Categoria: Miss Independent

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O ano de 2008 foi particularmente difícil. Poucas pessoas próximas a mim sabem, mas ele deflagrou o que foi chamado de “princípio de depressão” em minha vida. Quer dizer, não perdi nenhum parente ou alguém muito próximo e querido, e não tive nenhuma tragédia acontecendo comigo ou com alguém de quem eu gostasse muito. Mas eu perdi alguma coisa. Sou meio louca, eu sei, do tipo que tem tudo pra ser feliz mas está sempre faltando algo (isso me lembrou a Maysa – pra quem assistiu à mini-série – mas tudo bem). Comparações à parte, de fato 2008 não foi o ano que imaginei quando desejava “Feliz Ano Novo” na penúltima virada.

Porém, nessa minha época depressiva, mergulhei numa busca por mim mesma, vamos dizer assim. Aquelas velhas crises metafísicas de “quem sou eu e o que quero pra minha vida?”. Porém isso é TORTURANTE, especialmente se você é uma pessoa ansiosa como eu. A gente simplesmente NÃO TEM PACIÊNCIA para esperar a resposta. E nisso, percebi que meu dia-a-dia, meu trabalho e muitas coisas que me distraiam tornaram-se uma fuga: enquanto eu estivesse ocupada, eu não teria que lidar com a dor, com o vazio de não saber porque me sentia triste a maior parte do tempo.

No entanto, um amigo próximo percebeu essa minha “fuga da vida”. E um dia me veio com uma “dica”. Ele disse “ouvi uma música e lembrei de você, então toma, ela é sua”. Essa música chama-se Unwritten, da cantora Natasha Bedingfield, e toda menininha de 16 anos tem verdadeira adoração pela letra. Mas eu, pra variar, nunca tinha parado pra prestar atenção. Num dos trechos que mais gosto, ela diz “Feel the rain on your skin, no one else can feel it for you, only you can let it in” (Sinta a chuva em sua pele, ninguém mais pode senti-la por você, só você pode deixá-la entrar). E aqueles versos ficaram me martelando a cabeça.

Então eu decidi mudar. Decidi resolver o que me atormentava, decidi parar de fugir de mim mesma. E naquele dia liguei para uma amiga, convidei-a pra fazer uma das coisas que mais gosto – ir ao cinema – e para conversarmos também. Tanto ela, quanto eu, precisávamos muito daquela conversa, e não sei porquê eu escolhi ela, talvez porque eu sentisse que ela andava triste como eu. Fomos ao shopping, conversamos, depois demos umas risadas no cinema, e saímos.

Como eu morava perto do local, coisa de uma ou duas quadras, íamos embora a pé. Mas quando estávamos na rua, quem veio? Nossa outra amiga, a chuva. Digo amiga, porque assim que ela começou, minha amiga resmungou alguma coisa, e eu quis acompanhá-la, xingando e esbravejando, mas aí… aí eu lembrei da música. “Feel the rain on your skin”. Então olhei para minha amiga, sorri, e em vez de engrossar a reclamação, comecei a cantar pulando os versos dessa música. Ela riu, disse que eu era louca, mas dois segundos depois estava descendo a rua dançando e cantando comigo.

Foi um dos meus melhores dias em 2008. E de quebra, ele marcou um sinal muito poderoso pra mim. Toda vez que chove, eu penso em todas as metáforas que isso traz na minha vida. Lembro da música, lembro de como “ninguém derrete” por tomar uma chuva, lembro que ela passa, lembro que ela lava, e lembro que o sol sempre vem depois. E lembro também QUE SÓ EU POSSO SENTIR A CHUVA E VIVER A MINHA VIDA.

Que 2009 traga chuvas gostosas e sóis melhores ainda a você. Mas que, acima de tudo, você saiba perceber os sinais pedindo que você SIMPLESMENTE VIVA.

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