
Ouvi alguns brasileiros que entendem de futebol dizerem por aí que essa Copa foi ruim. Que a parte técnica das seleções deixou a desejar, que a infraestrutura não era das melhores, que assaltos ocorreram aos montes na África, que a campeã não foi a melhor das seleções e que a Jabulani – ah, a tão falada Jabulaaaaani – atrapalhou o futebol! Ora, brasileiros, vocês estão é muito mal acostumados!!
Somos um país órfão de jogadores como Garrincha, Pelé, Sócrates, Rivelino… e, se não me engano, foi o próprio Sócrates quem disse que jogou 5 minutos com a Jabulani e que gostaria de ter 90 em uma Copa com ela, pois se tratava de uma bola leve e gostosa de jogar, ao contrário do que afirmam nossos “ídolos” atuais.
No entanto, apesar de deixarem 190 milhões de brasileiros nostálgicos, jogadores como esses não se despediram ONTEM do futebol! Aquela velha nova frase – futebol não tem mais bobo – se encaixa como nunca… Os tempos são outros, e já deveríamos estar acostumados. Não é mérito de outras seleções, mas sim demérito da parte tática e técnica que suprimiu o que chamamos de futebol-arte há muito tempo. Porém, temos que admitir que tudo tem seu lado positivo: há quem ache LINDO ver uma equipe dar um nó tático em outra… Admirar a inteligência do técnico que montou aquele esquema e anulou os principais atletas adversários, numa autêntica jogada de mestre, como no xadrez… Xeque-mate.
O futebol mudou. Não se pode usar exatamente a palavra “evoluiu”, pois nós somos a geração que ainda avalia se essas mudanças estão sendo positivas ou não. Mas elas ocorrem, em todos os esportes. O vôlei, por exemplo, com a simples alteração da regra do “saque queimado” – a bola que bate na rede no saque não mais altera a situação de jogo e a partida continua normalmente – deixou embates mais disputados e tie-breaks muito mais emocionantes. A simples extinção da “vantagem” deixou o esporte mais dinâmico.
Sim, somos a geração-cobaia desse novo futebol, de Jabulanis, pontos eletrônicos e tira-teimas digitais. E também de novos países-sede, sem o “velho mundo” ditando as regras de como organizar um evento de tal porte. Mas muitas vezes NÓS cobramos isso… NÓS exigimos em nossos times e seleção um técnico que saiba como treinar a equipe, não só praticando passes, chutes a gol, pênaltis, cruzamentos, escanteios e rachões, mas também taticamente, realizando análises e estudando seriamente o futebol. NÓS torcemos por uma Copa do Mundo na África ou no Brasil, para “variar um pouco”. E nós temos que arcar com todas as consequências disso, sejam elas boas ou ruins.
Nós não tivemos, esse ano, uma Copa com um nível “abaixo do esperado”, ou um evento esportivo mal organizado… Tivemos nada mais, nada menos do que o resultado dos esforços de quem vem gerenciando – e torcendo – pelo futebol. Nós esperamos demais, brasileiros… Nos tempos de agora, bem ou mal, essa é a Copa que merecemos ter.
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