
Ele estava lá naquela noite de inverno, acompanhado de um amigo e seu velho ar de “bom moço”. Ela também estava no mesmo lugar, como de costume. Ela sempre saía para se divertir, esperando uma noite especial, mas nunca imaginou uma noite como aquela.
Ele a notou logo de cara. Ela lhe chamou a atenção. Sem saber bem o porquê – se eram seus cabelos morenos, seu sorriso ou seu jeito de quem tem um quê de diferente no que pensa e sente -, ele foi se aproximando aos poucos. Ela, buscando esquecer do amor e muito distraída, notou o interesse daquilo que sempre fugia. E abriu seu sorriso mais largo diante do que viu. Sem saber o que fazia, ela o derrubou.
Estático, ele tomou fôlego e esperou alguns segundos… minutos, na verdade. A coragem custava a vir. Ele olhou para trás: ela ainda o encarava. Ainda sorrindo. Ainda aquele rosto que, naquela noite, decidiu que não havia nada o que temer. Ele respirou fundo.
Um passo para trás e um “Oi”. Ela soltou uma gargalhada gostosa, ele acompanhou, vermelho por saber que tinha demorado. Mas ali começava algo inesperado, como dizem por aí, “na hora certa”.
O papo fluiu com a mesma naturalidade que os dois se encararam. Os assuntos surgiam, as risadas, as palavras ao pé de ouvido… até que foram se transformando em abraços, em encontros das mãos, em carinhos, em beijos…
Diante de tudo que acontecia, o pensamento intrigante era mútuo: COMO? Como se sentir tão bem com uma pessoa que se acabou de conhecer? Como se sentir tão íntimo, tão… em casa? “Feels like home”, é o que dizem em inglês. E eles souberam exatamente o significado.
A noite foi assim até o fim. Como num universo paralelo, não existia nada nem ninguém que importasse: os dois tinham a sensação de que o tempo, esse mesmo que os apresentou, havia parado. A despedida foi tão árdua quanto quem se despede daquele amante há muito presente em sua vida.
Quando ela chegou em casa, reinava em sua cabeça a ideia de não esquecê-lo jamais. E ela pediu a Deus, repetidas vezes: “Não me deixe esquecer, não me deixe esquecer, não me deixe esquecer…”.
A vida cuidou de dar rumos diferentes aos dois: nem todas as noites são especiais, e todo encanto de conto de fadas tem prazo de validade no mundo da “realidade”.
Porém, um ano depois, seu pedido foi atendido. Eles ainda se sentem em casa um com o outro. As conversas, a saudade, a confiança inexplicável. Ele ainda a procura como se ela fosse única… E ela? Ela ainda não o esqueceu. Apenas voltou a ser distraída. Não por capricho ou por natureza, mas por intenção. Quando faz isso, não é mais para esquecer.
“Eu vejo seu olhar nos meus sonhos
Eu posso te encontrar sempre assim
Eu posso imaginar outros planos
Num universo paralelo ter você pra mim…”
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