
Temos mania de julgar. Mania de querer que as pessoas sigam o nosso padrão, de achar que têm que concordar com a gente e gostar das mesmas coisas que gostamos. Eu tenho, você tem e não conheço ninguém que não tenha. Mas quem já esteve do outro lado sabe quanto é ruim… Ser rotulado, podado, limitado dá uma enorme sensação de prisão.
No ano passado, tive um namoro assim. Nesse relacionamento, tentei adequar meu ex ao perfil do cara que eu queria para mim. Já entrei no relacionamento querendo que o namorado fosse completamente diferente do que era. O tiro saiu pela culatra: eis que ele TAMBÉM queria uma namorada diferente.
As “prisões” e “grilhões” foram muitos, desde meu gosto musical à maneira como eu me vestia. E não há nada pior que constatar que a pessoa que você escolheu para estar ao seu lado não só não sabe NADA de você, como tem uma ideia pré-concebida da sua essência e personalidade e não está disposta a mudá-la, ou melhor, descobrir que o seu verdadeiro eu não é bem quem ele pensava…
Explico. Era comum que eu chegasse de cabelo preso e ouvisse a seguinte frase: “Nossa, mas… cabelo preso? Nem parece você…”. E a cara de cu nada se estendia, até que eu resolvesse soltar o cabelo e visse como mágica surgir o balãozinho acima de sua cabeça dizendo “Ahhhh, agora sim… essa é minha namorada!!”
Outra situação comum: ele não podia me ver muito arrumada (pois é!!). Se eu chegava com um daqueles casacões de frio bonitos, aqueles um pouco mais elegantes, lá vinha um “Nossa… que blusa diferente… Nem parece você”.
“Nem parece você… nem parece você”… Essa frase ecoou por dois meses na minha cabeça. Até que eu cansei.
É triste, mas é fato: quando vamos aceitar que as pessoas têm gostos diferentes? Quando vamos aceitar que o amor, um namoro, é EXATAMENTE ISSO: descobrir um ao outro aos poucos, se apaixonar (ou não) cada vez mais, enquanto a pessoa vai despindo sua essência diante de nós? Em dois meses, ele ACHOU que já me conhecia. E essa frase – Nem parece você – se tornou o alarme que dizia “você não pode mais ser quem é”.
Ele nunca perguntou quanto eu amava prender o cabelo, ainda que na maioria das vezes ele estivesse solto. Nunca sequer descobriu que uma das coisas que mais gosto de fazer no meu cabelo é uma trança bem bonita, ou ir a uma festa junina de Maria Chiquinha, só pra brincar de ser criança às vezes! Nunca se importou em saber se existia mais por trás da menina-moleca que usava moletom, e porque meu trabalho exigia que, de vez em quando, eu abandonasse esse papel e assumisse a função da “mulher de negócios”, que atende clientes, vai a reuniões e preocupa-se, apesar da pouca idade, em parecer séria. O principal: ele nunca perguntou ou esperou o tempo dizer quem eu era de verdade…
Uma pena. Muitos adorariam a resposta: “muito mais do que você vê”.
Não deixe que alguém te limite, te pode, te julgue ou te prenda, que mude sua personalidade, seus valores ou dite quem você tem que ser… o que temos de mais bonito e valioso é o que construímos dentro de nós.
Quem você é? Só você pode dizer…
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