Histórico de fevereiro, 2010.

Acho que eu estou postando esse vídeo com um pouco de atraso… mas é melhor que nada. Eu tava voltando da natação nessa quarta, e ouvi essa nova versão de We Are The World na rádio. Como eu fiquei uma semana fora, estava desatualizado das coisas que aconteceram durante o carnaval.
Essa nova versão, 25 anos depois da original, foi feita para arrecadar dinheiro para as vítimas do Haiti. Vamos dizer que, tanto essa quanto a antiga, não tem graça só ouvir. Tem que assistir o clipe e ver todos os famosos cantando. MUITOS famosos, diga-se de passagem.
Destaque para: A explosão de Celine Dion, a inconfundível voz de Akon, o ritmo novo acrescentado de rap/black… ou seja lá o que for. E por fim, mega destaque ao ator Jamie Foxx imitando o Ray Charles na parte que o próprio fazia na música original.
Pra quem não entendeu a piada, o Jamie Foxx interpretou Ray Charles no filme-biografia denominado de “Ray”… e ganhou Oscar de melhor ator por isso.
Aliás… aí vai a versão original:
Gostaram? Hmmmm…
Agora fica a pergunta… qual versão é melhor?

“…mas, desde então, mudei muitas vezes.” Essa frase de “Alice no País das Maravilhas” traz um assunto pertinente em tempos de BBB e “análise da personalidade e do comportamento alheio”. Não vou aqui fazer apologia ao programa, embora tenha meus motivos para assisti-lo, que vão além da simples ‘curiosidade’. Vim falar da famosa “crise de identidade”, e da estereotipagem da vida alheia.
Quem é que, diante de uma briga com alguém, ou uma situação de raiva, não se surpreendeu com a própria reação? Muitas vezes, aquela pessoa tida como barraqueira pelo simples fato de ser mais incisiva em suas opiniões - mesmo ninguém nunca tendo visto um fuá armado pela cidadã -, é aquela que todos ESPERAM que reaja levantando o dedo, apontando os outros e acusando defeitos descaradamente. E, inúmeras vezes, já vi justamente “a barraqueira” ficar quieta e não opinar.
Minha mãe diz que eu sou barraqueira também. Mas já vi brigas em que não me meti, já vivi situações que eu simplesmente ignorei. E me surpreendi positivamente comigo mesma. Já me surpreendi negativamente também, não só nesses casos, como em outras situações que a vida nos apresenta e pede que nos posicionemos. Porém me pergunto: que mania é essa que a sociedade – e até nós mesmos – tem de ‘rotular’ as pessoas? De marcar um estereótipo e esperar que Fulano seja sempre aquilo, reaja conforme nossas expectativas, sejam elas boas ou más, não fuja ao “script” que está em nossa cabeça?
Somos obrigados, constantemente, a nos definir. Desde um mísero “quem sou eu” no Orkut, passando pela questão ‘O que você espera deste emprego?’ durante aquela seleção de vaga desejada, até o “conte-nos um pouco de você”, ouvido no primeiro dia de aula da faculdade ou na primeira sessão de terapia. É esperado que nós saibamos, pelo simples fato de convivermos 24 horas com nós mesmos, quem somos, o que queremos, quais são nossos sonhos e que tipo de coisas não desejamos para nossa vida. Não podemos nem sequer ter uma crise de identidade tranquilos!
Contudo, a verdade é que é MUITO DIFÍCIL saber isso, especialmente quando se tem 20 e poucos anos. É muito difícil se saber aos 40. E é ainda difícil ter certeza mesmo ao fim da vida. Porque não somos UMA COISA SÓ… Somos resultado da “mistura” dos valores que agregamos até os 15 anos, dos aspectos da nossa personalidade, da cultura em que crescemos e enraizamos e das escolhas que fizemos diante das diversas situações em que fomos colocados. Não somos NUNCA uma coisa só. Essa herança da época do Romantismo, em que as histórias eram maniqueístas, divididas entre vilões e mocinhos, até hoje nos aflige. Quem nunca sofreu por ser certinho demais? Pois é dessa pessoa que não se esperam os erros! Quem nunca se chateou por ser taxado como ‘o errado’? Pois é dele que não se espera nada…
Todos nós sofremos mudanças em nosso jeito de ser e, ao contrário do que muitos pensam, não se precisa de um longo período de tempo para que esta se realize. Ela acontece de um mês para o outro, de uma semana para outra e, aos casos mais ‘graves’, de um dia para o outro. Talvez seja por isso que, espantosamente, uma figura como Marcelo Dourado, odiada e renegada em sua última participação no Big Brother, ande tão bem aceito agora. Nós não somos os mesmos. Nós NUNCA somos. E o fantástico da vida é essa extrema capacidade que o ser humano tem de mudar diante dela.
_____________________________________________
Contatos:
E-mail: colunamiss@gmail.com
Twitter: @colunamiss
Perguntas: www.formspring.me/missindependent



