
Escolhi ir direto ao assunto no título para mostrar a vocês, queridos leitores, essa situação bizarra que aconteceu em minha vida, e que no fim se revelou algo do qual tirei proveito (e não é do jeito que vocês estão pensando!). Foi mais uma daquelas situações que começaram com o pensamento de “Meu Deus, o que fiz para merecer?” e terminaram com aquela sensação de “Deus escreve certo por linhas tortas”.
Estava eu em meu apartamento em Bauru, no dia 1º de janeiro de 2008. Meus pais haviam ido à cidade para passar o réveillon comigo, já que trabalhei até o meio-dia do dia 31. A virada em si passei com eles, e dormimos todos em um hotel, porém como o dia 1 era um domingo, eles escolheram ir embora por volta de 14h, já que no dia seguinte minha mãe retornava ao trabalho.
Foi aí que, de volta ao meu apartamento, dei de cara com ele: J., o ex, (falei dele nesse dia) já estava bem instalado e me olhando com uma cara de “e aí, o que a gente faz agora?”. Para quem está se perguntando como ele foi parar lá dentro, ou o que estava fazendo visitando a ex no primeiro dia do Ano Novo, explico: eu morava com a irmã dele. Ela estava de férias, mas ele precisava de algum lugar para ficar em Bauru enquanto resolvia umas pendências da república na qual ele havia morado. Ele já tinha entregado a casa, mas precisava acompanhar todo o serviço de vistoria e pintura. Claro que tudo isso só seria feito no dia 2. Mas a irmã (ex-cunhada) me consultou, eu disse que tudo bem, e ele veio no dia 1 mesmo.
No começo, foi… estranho. Apesar de termos mantido a amizade após o fim do relacionamento, eu realmente nunca tinha ficado a sós com ele. Muito menos num lugar tão íntimo quanto meu apartamento. Quer dizer, quando ele ia visitar a irmã, sempre havia mais pessoas além de mim – no mínimo, eu, ele e a irmã! Na falta do que fazer, começamos a nos revezar entre o computador e a televisão, assistindo Pica-pau na Record, dando algumas risadas, e puxando alguns assuntos básicos de “e aí, como vai seu trabalho?”.
Passado um tempo, eu percebi que estávamos nos divertindo. Eu sabia muitas coisas sobre ele – o que gostava, o que fazia, o que o desagradava, e isso me ajudou a criar um ambiente mais agradável. Ofereci pipoca e refrigerante, algo que sabia que o relembrava dos tempos de república, e demos boas risadas quando ele me contou que, durante a faculdade, ele e os amigos só comiam pipocas vencidas: as dentro do prazo de validade eram item raro na casa de seis homens atarefados com emprego e faculdade.
Depois de tomar banho (leia-se: eu no banho, e o ex na sala, por favor!), J. ficou tirando um sarro pela trilha sonora “Lily Allen” que eu havia escolhido. Eu disse “é, ando meio revoltada. Mas as músicas são legais”. Ele concordou e disse que copiaria o CD.
Ele continuou mais uns dias em meu apartamento, até resolver tudo de sua ex-moradia, e eu prossegui com minha vida normalmente durante aquela semana: levantava, dava bom dia, ia trabalhar, e só voltava depois das 18h. E ele estava lá, sempre tranquilo. Me impressionei com como estávamos levando aquilo numa boa e disse para ele: “isso ta parecendo vida de casado”. Ele deu risada e concordou também.
O que nunca vou esquecer é de que, por um momento, quando o vi na sala no dia 1º, eu amaldiçoei ter aceitado aquela situação. Hoje vejo que, graças a ela, eu acabei tendo a primeira semana de Ano Novo mais legal da minha vida.
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