
Era uma vez quatro meninas que se conheceram na cidade Sanduíche, um município longínquo demais de seus lares e, de início, um tanto quanto diferente e assustador. Diferente porque duas delas vieram de cidades maiores e tiveram muito a se adaptar; assustador porque a outra dupla veio de lugares menores e estranhou bastante o lugar.
Elas foram morar juntas. Por que se acharam as mais legais? Por que houve empatia de cara? Por que alguma coisa nelas combinava? Fato é que a resposta é sim, mas elas não sabiam ao certo naquela época. Elas eram apenas quatro meninas que chegaram “atrasadas” para as aulas, e uniram-se apenas porque seus colegas já estavam arranjados e instalados. Porque Deus quis assim.
Ouso dizer que elas eram os esboços mais parecidos e mais desiguais de amigas que o cara lá de cima criou. Cada uma tinha sua peculiaridade e um jeito único de ser.
C. era a palhaça da casa. O espírito cômico e os comentários sarcásticos surgiam nas horas mais inesperadas. Era motivo de riso, sabia entreter como ninguém, e enganava com o contraste entre o rosto angelical e as sacadas fenomenais.
J. era a leveza em pessoa, uma mistura de menina-hippie e mulher que tentava se encontrar. Era a necessidade de liberdade de uma menina que cresceu sob uma educação um tanto quanto rígida dos pais. Mistura de coragem e um pouco de medo, era a mais sentimental das quatro.
L… definitivamente, L. era a guerreira. A fibra, a luta e a inteligência com certeza encontravam nela seu melhor lar. Vida sofrida de jovem que perdeu a mãe cedo demais, antes do que qualquer um espera. Mas vontade de vencer para orgulhá-la, ah, muita vontade.
N. era a alegria! O espírito virtuoso e a sociabilidade. A capacidade e a vontade de ter “um milhão de amigos”, como queria Roberto Carlos. O sorriso constante – diante dos outros. Só as outras três conheciam seu mau-humor. A esportista, a popular, a “sempre feliz”.
Mesmo tão diferentes, elas tinham uma coisa muito igual, e FUNDAMENTAL para que pessoas como elas desenvolvessem um laço tangível ao sangue familiar: todas tinham o coração bom, muito bom. Tinham vontade de vencer na vida, e de saírem da cidade que aprenderam a amar melhores do que chegaram.
Juntas, elas aprenderam muitas coisas. Aprenderam que passar a noite comendo pão-de-queijo e brincando de Verdade ou Desafio rende uma manhã sofrível, mas uma lembrança extremamente agradável. Aprenderam que não há nada mais restaurador de uma fossa que um episódio de Friends e uma panela de brigadeiro. Aprenderam que Imagem e Ação não é jogo de criança. Aprenderam que ir a festas e dormir pouco não cansa: deixa o espírito mais jovem. Aprenderam que chegar em casa e ter um colo para chorar que não seja o de sua mãe – e além dele, ser rodeada por mais dois – não é sorte, é BENÇÃO. Aprenderam que amigas como elas quase não existiam: como dizia o grupo preferido da trupe, era coisa “só para raros”.
No epílogo dessa história, elas se encontraram na festa de formatura de J. Distantes fisicamente há um ano, relembraram todas essas lições, se divertiram, se abraçaram. E assinaram, no final de seu livro, a seguinte frase, com convicção: E VIVERAM AMIGAS PARA SEMPRE.*
* Uma pequena homenagem para “as de sempre”
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